Abrir o Espírito Santo é o caminho para impulsionar o empreendedorismo capixaba

Espírito Santo 16 de Dez de 2021

Por Marcus Buaiz

Não faltam oportunidades para empreender no Espírito Santo. Aliás, esse é o nosso lema por aqui. Afinal, como contei para vocês na última coluna, esse foi o motivo do meu retorno. Mas como em qualquer lugar do mundo, também existem grandes desafios em empreender no nosso estado. Mas essa é uma realidade em qualquer lugar. Como diz a famosa frase: “sem risco, sem história”. E empreender é justamente sobre isso, tomar risco e fazer história.

Nesse contexto, o ES conta com uma população extremamente apaixonada pelas suas riquezas e potencialidades. O povo de fato ama a sua terra. Se você ainda não conheceu um capixaba, você ainda não sabe o que é bairrismo. E isso tem o seu lado bom. A missão é conectar o seu propósito com o desenvolvimento do estado e passar isso para a sociedade. Se você for bem-sucedido nesse caminho, já tem boas chances de dar certo no ES.

Mas também tem o lado negativo. O bairrismo mais radical pode criar barreiras entre capixabas e pessoas que vem de fora. Esse choque cultural, de certa forma, pode afastar empreendedores e iniciativas de outras regiões. Ao desenvolver iniciativas em outros estados, como São Paulo, por vezes, percebi que a sociedade e o próprio meio político se mostravam mais engajados com a atividade empreendedora. Quase que convidando novos negócios e investimentos para serem realizados nas mais diversas localidades.

Por outro lado, ainda há o desafio da visibilidade. Nem sempre, historicamente, demos a atenção ideal para a divulgação das potencialidades logísticas e setoriais do nosso estado, como no agronegócio, no turismo, na indústria e na tecnologia. E um terceiro ponto, por mais contraditório que seja com o sentimento de bairrismo, nós capixabas, muitas vezes, damos mais valor ao sucesso de fora, do que ao sucesso de pessoas do Espírito Santo.

Nesse quesito, sinto que se de fato queremos consolidar ainda mais a nossa trajetória empreendedora ao redor do país, temos que valorizar mais o que é nosso, mas sem fechar a porta para quem é de fora. Muitas vezes, quisemos jogar sozinhos, nos fechando para uma suposta concorrência nacional. Mas esse movimento não faz muito sentido.

Toda vez que tive a oportunidade de trazer amigos, artistas, empresários e formadores de opinião ao ES, todos, com unanimidade, amaram nossas terras. E isso vai desde a moqueca, que é um diferencial fortíssimo, até as belezas naturais e as oportunidades de negócios no nosso estado. Então, por que nos fechar?

Moqueca capixaba. Foto: Viajante comum.

O entretenimento como forma de impulsionar a imagem do nosso estado

Ao desenvolvermos mais empreendedorismo, simpatia e autorreconhecimento, podemos abrir mais as portas do nosso estado para o país. Com isso em mente, e falando mais sobre o setor que atuo, entendo que o entretenimento é uma mola propulsora para abrir o Espírito Santo.

Além de divulgar a imagem do estado em escala nacional, isso chama a atenção para as marcas e espaços locais, valorizando nossas iniciativas, espaços urbanos e o metro quadrado do nosso estado. Essa foi a forma que o bairro Meatpacking District em Nova York se desenvolveu. Era uma região desvalorizada, composta, praticamente, apenas por armazéns de carne. Mudando essa realidade, um grupo de empresários locais do entretenimento criou uma rede de hotéis, restaurantes e casas noturnas, transformando por completo a localidade. Hoje, é um dos lugares mais cobiçados Manhattan.

Meat Packing District, Nova York. Foto: newyork.au

Também, gosto sempre de usar o exemplo de Mônaco. O que seria da região sem a corrida de Fórmula 1? Claro que suas belezas são estonteantes, mas o esporte deu uma visibilidade sem precedentes.

Em alguns momentos, esses movimentos podem gerar desconfortos. Fazer uma corrida no meio da cidade pode conturbar a região. Mas, em contrapartida, há uma valorização considerável e uma exposição nacional e internacional impagável.

GP de Mônaco. Foto: F1.

Aqui no Espírito Santo, poderíamos aproveitar fortemente disso. Temos montanhas, praias e paisagens únicas. O entretenimento aqui pode contribuir de forma imensurável e impulsionar o nosso estado à nível global.

Por isso, tenho um sonho pessoal: fazer novamente o festival Vitória Pop Rock. Em outros estados, mantenho um investimento no Skuta Festival, realizado duas vezes no período pré-pandemia, no Allianz Parque e no Anhembi. Ambos foram muito bem. E quem sabe podemos trazer uma edição para o Espírito Santo. Hoje, temos uma grande concentração de eventos dessa magnitude no Klébão (o famoso estádio Kléber Andrade) ou no Pavilhão de Carapina. O que falta, nesse sentido, é desenvolver outros polos onde haja a possibilidade de colocarmos esses eventos de pé.

Os setores que acredito que podem impulsionar a abertura e o desenvolvimento do nosso estado

No último mês, tive o privilégio de participar do programa Espírito Startups, colocado de pé pela parceria entre Apex Partners e Rede Vitória. No reality, ficou clara a capacidade do Espírito Santo em desenvolver novas ideias e negócios por meio do empreendedorismo.

Das propostas dos participantes, particularmente gostei muito da ideia de inovar para cuidar da saúde mental, ainda mais em um momento que estamos passando por uma pandemia e vivendo um momento de aprendizado de que é importante discutir a saúde mental e a felicidade das pessoas, como a BeHappier colocou no programa.

Também acredito muito no potencial do agronegócio, que inclusive teve um representante que ganhou o Espírito Startups, a Conta Café. Existem muitas oportunidades nesse segmento, ainda mais com a aplicação da tecnologia.

Conta Café, vencedora do Espírito Startups. Foto: Rede Vitória.

Destaco, novamente, o potencial do turismo aliado ao entretenimento. As pessoas de fato gostam do nosso estado e da moqueca. Mas ninguém virá aqui apenas por isso. Ela tem que ter algum motivo para isso. Além das iniciativas citadas acima, também tive a oportunidade de conversar sobre a possibilidade de levar um Resort para o estado. Tudo isso potencializaria ainda mais o nosso desenvolvimento.

E esse movimento deve ser construído entre as parcerias de empreendedores de todos os ramos. Com essa cultura de colaboração para impulsionar o nosso estado, não tenho dúvida que esses setores, aliados à tecnologia, podem colocar o ES cada vez mais em destaque.

A mudança cultural como atração para novas formas de empreender

Nos últimos 5 anos, com o objetivo de criar essa rede de relacionamento entre diversos segmentos, tenho caminhado pelo estado para conhecer essa nova geração de empreendedores. E acredito que, nesse quesito, estamos evoluindo muito bem. Há uma corrente de mudança. O capixaba tem cada vez mais orgulho da sua terra. Isso nos dá segurança para também nos tornarmos um estado mais aberto para novas pessoas, culturas e negócios que vem de fora.

Naturalmente, essas mudanças partem dos mais novos. Me sinto cada vez mais otimista com esse movimento. Na prática, abrir o nosso estado para novos empresários e trabalhar em mais oportunidades para o crescimento de novos setores é um grande passo para desenvolver ainda mais o Espírito Santo.

E ao superarmos esses desafios da abertura, sem dúvidas, ninguém vai segurar o crescimento do nosso estado.

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