Cenário de crescimento e desemprego em alta nos USA mantem a valorização dos ativos
Por Arilton Teixeira*
O mês de dezembro começa com os preços dos ativos sem tendência clara nos USA. Mas, a redução de juros pelo Fed, os dados de desemprego em alta, crescimento acima do esperado e inflação abaixo do esperado, levaram a retomada da valorização dos ativos e interrupção da queda do DXY.
No Brasil, os dados confirmam um crescimento menor (em T3) e inflação em queda. Mas, a eleição de 2026 entrou na formação de preços. O anúncio inesperado da candidatura de Flávio Bolsonaro gerou volatilidade por ter elevadas intenções de votos, mas também alta rejeição. Junte-se a este cenário, a remessa de dividendos para o exterior (fim do ano fiscal), fugindo da alta da tributação em 2026, tivemos uma bolsa subindo com volatilidade, mas o real em queda.
OBS.: Esta carta já estava escrita quando os USA invadiram a Venezuela (e prenderam Maduro), o que nos levou a adicionar estas observações, apesar da carência de informações sobre as intenções dos USA. Quanto mais rápido for a realização de eleições e a normalização institucional na Venezuela, mais rápido vai ser o seu retorno ao mercado internacional (sem sanções), e o aumento de sua produção de petróleo. Mas, o prazo para produzir mais tende a ser maior, quanto maior a necessidade de investimentos. Esta combinação de normalização institucional e necessidade de investimentos, tendem a afetar as expectativas e os preços do petróleo.
Mercado Externo
Em dezembro, não tivemos alterações no cenário das economias europeias e chinesas. A Europa mantem crescimento baixo (Zona do Euro e UK) e a China o crescimento perdendo ritmo.
Mas, nos USA, os dados da 2ª metade de dezembro mostram uma economia crescendo acima do esperado (4.3% vs 3.2%), desemprego em alta e inflação abaixo do esperado (além do corte de juros pelo Fed). Com isto, as empresas americanas retomaram a valorização e o dólar (DXY) estabilizou.
Mas, embora o crescimento nos USA tenha sido elevado, ele foi basicamente puxado pelo consumo das famílias e do governo. Do lado da oferta, o ambiente tem propiciado crescimento das empresas grandes (em particular das “Big Techs”), mas punido as empresas pequenas (Gráfico I), responsável por parte substancial do PIB e do emprego. Esta divisão está por traz do elevado crescimento, mas baixa criação de empregos.
Finalmente, a Suprema Corte dos USA ainda não decidiu o destino das tarifas. Mas, ainda que eliminadas, a incerteza quanto os rumos da política comercial tendem a continuar afetando os investimentos e o crescimento e as pequenas empresas.
Mercado Interno
Segundo o Focus, para 2025, a inflação esperada é 4.43% (era 4.45% há um mês). O crescimento esperado está em 2.26% (há um mês era 2.16%). Já a Selic dezembro de 2025 está em 15.0%.
A economia em 2025 terá crescimento menor. O PIB do T3 cresceu 1.8%. Além disto, o 3º levantamento da CONAB da safra 25/26, mostra perda de ritmo da agricultura. Por outro lado, a inflação continua caindo. O IPCA de novembro teve alta anual de 4.46% e o IPCA-15 de dezembro foi de 4.41%, aumentando a possibilidade do COPOM iniciar a queda da Selic.
Em dezembro, com o retorno da dupla taxação dos dividendos a partir de 2026, podemos esperar maior remessa de dividendos pelas empresas estrangeiras, colocando maior pressão sobre o dólar (Gráfico II). Além disto, o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente, gerou volatilidade nos preços dos ativos e aumento do dólar (Gráfico II). Ao dividir o campo pro-mercado, cai a possibilidade de eleição de um de seus candidatos.
Para 2025-26, as perspectivas de crescimento e dos preços dos ativos continuam dependendo: (i) da estabilidade política interna e do avanço das reformas; (ii) controle do risco fiscal e tributário; (iii) da política monetária e comercial nos USA. Além disto, as políticas (i)-(ii) caracterizariam um candidato pro-mercado.
A volatilidade gerada pelo lançamento de Flavio Bolsonaro mostrou que o mercado já está precificando a eleição (ou seja, o risco fiscal para o próximo mandato). Nos próximos meses, quando os dados mostrarem queda na probabilidade de eleição de um candidato pro-mercado, devemos esperar maior volatilidade.
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*Economista-chefe da Apex