Carta do Economista: Precificação do aumento dos juros e estabilização da inflação dominam o cenário internacional

1 de Jun de 2022

Por Arilton Teixeira*

Nas maiores economias ocidentais, o crescimento e a inflação mostraram estabilidade em maio, absorvidos os efeitos da guerra. Já na China, a economia sinaliza novas quedas de crescimento, agora puxada por novos lockdowns para combater a pandemia.

Assim, depois de subirem forte em abril e no início de maio, os juros estabilizaram nos USA. Como resultado, as bolsas mundiais que começaram o mês em queda, invertem a tendência e devolvem grande parte das perdas na segunda metade de maio.

No Brasil, o crescimento e a inflação continuam acelerando. Mas, com o Banco Central do Brasil (BCB) sinalizando novo aumento da Selic e com a estabilização dos juros nos USA, o Brasil volta a atrair investimento estrangeiro. Com isto, a Bolsa brasileira tem valorização, enquanto o dólar volta a cair em maio.

Mercado Externo

Em maio, os dados indicam forte queda do crescimento da economia chinesa devido aos novos lockdowns. Já os USA e a Europa mantém o crescimento.  Mas, embora a inflação tenha estabilizado, continua elevada.

Na Zona do Euro, os PMIs (Índice dos Gerentes de Compras) de manufaturas e serviços de maio tiveram pequena queda, indicando manutenção do ritmo da economia e recuperação dos impactos da guerra.

Na China, os indicadores apontam queda maior do ritmo de crescimento. Em abril, as vendas no varejo caíram 11.1%, a produção industrial caiu 2.9% e o desemprego aumentou para 6.1%. Os PMIs de manufaturas (49.6) e serviços (47.8) embora tenham melhorado, continuam indicando contração da economia.

Nos USA, em maio, os PMIs de manufaturas e de serviços tiveram pequenas quedas, mas houve forte geração de empregos em março (428K) e o desemprego está baixo (3.6%). Além disto, as vagas de trabalho em aberto em março atingiram 11.266 milhões, nível mais elevado da série.

Como falamos na carta anterior, devido a elevada inflação, os bancos centrais começaram a reduzir os estímulos monetários.  O Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco Central dos USA (Fed) elevaram seus juros básicos para 1% e o Fed vai começar a redução do balanço em junho.

Este movimento dos bancos centrais gerou deslocamento da curva de juros e queda do valor das empresas, em abril e princípios de maio. Mas, a estabilização da inflação (CPI) nos USA (8.3%) em abril, levou os juros futuros a caírem na segunda metade de maio.

Este movimento dos juros futuros nos USA levou a valorização das empresas nos USA e no resto do mundo na segunda metade de maio.  Ao mesmo tempo, esta estabilização interrompeu o movimento de capital em direção as economias desenvolvidas, valorizando as moedas de países emergentes.

Para os próximos meses, o ritmo de retirada dos estímulos monetários continua a ser fundamental. Mais importante, a redução do balanço pelo Fed pode gerar novo impacto sobre a curva de juros nos USA.

Mercado Interno

Comecemos com as expectativas do Boletim Focus para 2022 (última publicação de 29/04) e os dados econômicos. O crescimento esperado aumentou para 0.69%. A inflação esperada está em 7.89%. Já a Selic esperada para dezembro de 2022 está em 13.25%.

Os dados liberados em maio voltaram a sinalizar recuperação do crescimento. O PMI de manufaturas teve ligeira queda, passando de 52.3 para 51.8, mas o de serviços aumentou de 58.1 para 60.6. Além disto, o setor de serviços cresceu e a economia continua criando postos de trabalhos, levando a queda do desemprego para 10.5% no primeiro trimestre de fev/abr. A arrecadação também continua crescendo (aumento anual de 10.9% em abril) e o governo central e o setor público consolidado mantem superávit primário acumulado em 2022.

Mas, a inflação continua aumentando. O IPCA de abril volta a subir, atingindo 12.1% e o IPCA-15 de maio atingiu 12.2%, levando o mercado a esperar nova alta da Selic em junho.

A estabilização dos juros nos USA na segunda metade de maio, a aceleração do crescimento (com redução do risco fiscal) e os juros em elevação no Brasil inverteram a tendencia de saída de investimento estrangeiro em fins de maio. Com isto, as empresas brasileiras retomaram a valorização e o dólar voltou a cair.

A despeito destas alterações do cenário em maio, as perspectivas da economia brasileira e dos preços dos ativos nos próximos meses continuam a depender: (i) da manutenção da estabilidade interna e do crescimento; (ii) da redução do risco fiscal e inflacionário; (iii) da política monetária nos USA; (iv) da evolução do conflito Ucrânia-Rússia.

A recuperação do crescimento e a lucratividade das empresas brasileiras, juntamente com a queda do risco fiscal e a estabilização dos juros nos USA, vem contribuindo para a entrada de investimento estrangeiro no Brasil em maio. Mas, o aumento mais rápido dos juros nos USA com o início da redução do balanço do Fed pode voltar a alterar este cenário, levando a saída de capital.  Devemos lembrar ainda que as eleições de 2022 podem gerar aumentos do risco fiscal.

Por último devemos notar ainda o risco contido na sugestão de política do BCB de que prefere manter os juros próximo do patamar atual por mais tempo (para reduzir a inflação) do que continuar subindo a Selic. O risco desta política é grande. Enquanto espera, novos choques podem voltar a puxar a inflação antes mesmo que ela comece a convergir, deixando o BCB atrás da curva. Dado o elevado nível de inflação dos últimos 3 anos, podemos ter uma indexação ainda maior da economia.

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*Economista-chefe da Apex Partners

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